Poesia Concretista

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

       Vimos na última aula, no dia 08, os dois princípios do signo linguístico: a arbitrariedade do signo e a linearidade do significante. Durante a explicação, surgiu a questão do Poema Concretista. Vejam abaixo uma rápida explicação deste tipo de poesia e porque ela é interessante para pensarmos o signo linguístico.

A POESIA CONCRETISTA NO BRASIL

O movimento concretista, segundo Alfredo Bosi (2006, p. 475), se desenvolveu no Brasil a partir da segunda metade da década de 1950. Os poetas concretistas, inspirados pela animosidade modernista do início do século XX, seguiam as tendências já anunciadas pelas vanguardas europeias (futurismo, dadaísmo e até mesmo o surrealismo), rompendo paradigmas concernentes à forma dos poemas. O concretismo rompeu com a literatura  intimista dos anos 40, através de inovações na semântica (polissemia, nonsense, etc.), sintático (justaposição), no léxico (siglas, neologismos, tecnicismos, etc.), na morfológia (desintegração do sintagma em seus fonemas), na fonética (aliterações, jogos sonoros), e na topografia (não linearidade, o não uso dos versos, em alguns casos), etc. (BOSI, 2006, p. 477). Os precursores do movimento concretista no Brasil foram Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari.

A POESIA CONCRETISTA E O SIGNO LINGUÍSTICO

Os poemas concretos têm como característica mais imediata o efeito plástico do significante, isto é, o poema não-linear no qual se formam desenhos que são imediatamente visualizados pelo leitor. Como vimos em Saussure, o significante, que constitui o plano da expressão do signo linguístico, tem por princípio se desenvolver como numa linha do tempo, em que os elementos se sucedem um após o outro. Nos poemas concretos, no entanto, esse princípio é rejeitado em prol de um efeito plástico e semântico que confere ao poema uma forma totalmente original, lúdica e irreverente. Não raro os significantes são organizados de modo a formarem outros significantes, ou até mesmo um símbolo, como o do infinito. Vejamos abaixo alguns exemplos:






É importante percebermos que o poema concreto não invalida, porém, o princípio da linearidade do significante. Se considerarmos, pois, a nossa fala, o nosso pensamento e a escrita convencional, é fácil percebermos que não podemos concentrar dois significantes ao mesmo tempo, nem sobrepô-los na fala ou na escrita sob pena de prejudicarmos o entendimento do signo. A poesia concretista lança mão de uma possibilidade que só existe visualmente, plasticamente, e com uma intensão delimitada de produção de sentido.



1 comentários:

Thairis Baptista disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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